quarta-feira, 15 de março de 2017

Aspectos formais da escrita vinculado às ideias modernistas e de realidade que se despreendem do poema - Os Sapos

Manuel Bandeira

O escritor atuou como professor de literatura, tradutor e crítico literário. Manuel Bandeira não participou da Semana de Arte Moderna de 1922, evento que deu início ao modernismo no Brasil, mas o poema do autor, “Os Sapos”, foi lido na abertura. O poema ridicularizava o parnasianismo. 

Filho de Manuel Carneiro de Sousa Bandeira e Francelina Ribeiro, Manuel nasceu no Recife. Seu tio, João, era membro da ABL, como Bandeira viria a ser anos mais tarde. Sua eleição foi em 1940, o escritor modernista ficou com a cadeira nº 24, que tem como patrono Júlio Ribeiro. 

Viveu no Rio de Janeiro por alguns anos, foi aluno do Colégio Pedro II e, em 1904, foi morar em São Paulo. Chegou a começar o curso de arquitetura na Escola Politécnica, mas a tuberculose o obrigou a parar. Durante a doença, resolveu passar um tempo na serra. Para continuar a se tratar, foi para a Suíça, mas a Primeira Guerra fez com que voltasse antes do previsto, em 1914. A doença do autor podia ser sentida nas suas poesias, que apresentavam um certo sentimento de angústia e medo da morte. 

É quando volta ao Brasil que o escritor começa a produzir obras literárias. A primeira publicação data de 1917, é o livro “A Cinza das Horas”, os 200 exemplares foram pagos pelo próprio autor. Dois anos depois, foi lançado “Carnaval”, também custeado por Bandeira. Em 1921, na casa de Ronald de Carvalho, começa a se relacionar com importantes escritores, como Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Sérgio Buarque de Holanda. 

Em 1950, é um dos candidatos a deputado pelo Partido Socialista Brasileiro. A candidatura foi feita apenas para agradar os amigos, que precisavam completar a chapa. O escritor morreu de hemorragia gástrica em 1968. Seu corpo foi sepultado no mausoléu da ABL no Cemitério São João Batista, no bairro Botafogo, Rio de Janeiro.

O escritor colaborou com várias publicações, entre elas o “Diário Nacional”, “A Província”, “Ariel”, “A Ideia Ilustrada”, “A Manhã”, “Jornal do Brasil” e “Folha da Manhã”. Teve textos publicados em periódicos modernistas também, como “Klaxon”, “Lanterna Verde” e “Revista Antropofagia”. No tradicional Colégio Pedro II, atuou como professor de literatura. Depois, passou a dar aulas de literatura da Faculdade Nacional de Filosofia, deixando o cargo no colégio.

Principais Obras:
Estrela da Manhã
Libertinagem
Os Sapos
Vou-me Embora pela Pasárgada



Poema – Manuel Bandeira - Os Sapos






Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.

Em ronco que aterra,
Berra o sapo-boi:
- "Meu pai foi à guerra!"
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!".

O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: - "Meu cancioneiro
É bem martelado.

Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.

O meu verso é bom
Frumento sem joio.
Faço rimas com
Consoantes de apoio.

Vai por cinquüenta anos
Que lhes dei a norma:
Reduzi sem danos
A fôrmas a forma.

Clame a saparia
Em críticas céticas:
Não há mais poesia,
Mas há artes poéticas..."

Urra o sapo-boi:
- "Meu pai foi rei!"- "Foi!"
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!".

Brada em um assomo
O sapo-tanoeiro:
- A grande arte é como
Lavor de joalheiro.

Ou bem de estatuário.
Tudo quanto é belo,
Tudo quanto é vário,
Canta no martelo".
Outros, sapos-pipas
(Um mal em si cabe),
Falam pelas tripas,
- "Sei!" - "Não sabe!" - "Sabe!".

Longe dessa grita,
Lá onde mais densa
A noite infinita
Veste a sombra imensa;

Lá, fugido ao mundo,
Sem glória, sem fé,
No perau profundo
E solitário, é

Que soluças tu,
Transido de frio,
Sapo-cururu
Da beira do rio...

Referências: